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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Noticia: Situação humanitária na Costa do Marfim continua alarmante

Mais de três semanas após o fim da crise pós-eleitoral na Costa do Marfim, a situação humanitária do país continua a ser alarmante para dezenas de milhares de civis, apesar de avanços na segurança, alertou hoje o Alto Comissariado nas Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). “À medida que nossas equipes atingem mais pessoas, encontramos necessidades substanciais”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, em conferência de imprensa em Genebra.
Com a melhoria na segurança nas últimas semanas, o ACNUR tem retomado o acesso a pessoas deslocadas internamente (PDI) na capital comercial de Abidjan, onde vinha dando apoio antes de os combates interromperem suas operações.


Embora o Alto Comissariado acolha a melhoria da segurança em toda a Costa do Marfim, a agência expressou preocupação com o grande número de postos de controle armados. “Pedimos ao novo Governo da Costa do Marfim que reduza essas barreiras, pois elas intimidam as pessoas que desejem regressar a seus lugares de origem”, disse Edwards. “Pedimos também ao Governo que tranquilize a população civil, acelerando os esforços para reestabelecer a presença de autoridades locais.”
“Muitas pessoas nos dizem que querem voltar para seus locais de origem o mais rapidamente possível. No entanto, em muitos casos, casas e aldeias foram parcial ou totalmente destruídas, e as pessoas estão traumatizadas. Em algumas áreas da cidade, os moradores se escondem durante a noite”, acrescentou.
Estima-se que um milhão marfinenses tenham sido deslocados pela violência durante a recente crise, incluindo aqueles que fugiram para países vizinhos – em particular a Libéria, que está hospedando 135 mil refugiados da Costa do Marfim. Gana e Togo também têm visto um aumento no número de deslocados que chegam desde a captura do ex-Presidente Laurent Gbagbo, sendo um número crescente deles constituído de jovens pró-Gbagbo que alegam ter fugido por medo de represálias.
Agências de ajuda humanitária das Nações Unidas têm alertado há várias semanas que milhares de civis ainda sofrem as consequências dos quatro meses de turbulência que tomaram conta do país africano, sendo as necessidades prioritárias encontradas nos sistemas de saúde, educação, água, abrigo e proteção de pessoas afetadas pela violência. O ACNUR já atendeu 43 mil pessoas no oeste do país, fornecendo abrigo e utensílios domésticos. Na semana passada, o Alto Comissariado recebeu 32 caminhões com suprimentos adicionais, vindos de seus armazéns na Libéria, para ajudar mais 25 mil mais deslocados na região.
No mês passado, a ONU e seus parceiros lançaram um apelo por 160 milhões de dólares para garantir a prestação de serviços básicos a até dois milhões de pessoas em toda a Costa do Marfim. Na semana passada, 20% dos recursos necessários haviam sido financiados.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Noticia: Costa do Marfim - Gbagbo é preso após ofensiva contra sua residência




ABIDJAN (AFP) - O presidente marfinense, Laurent Gbagbo, foi detido nesta segunda-feira, após uma grande ofensiva das forças do rival Alassane Ouattara, apoiadas por meios aéreos e blindados das forças francesas e da missão da ONU (Onuci).
"Laurent Gbagbo foi detido pelas forças republicanas da Costa do Marfim (FRCI, pró-Ouattara) e levado ao Golf Hotel", que serve de quartel-general de Ouattara, declarou à AFP o embaixador da França, Jean-Marc Simon.
O canal de televisão comandado por Ouattara, reconhecido pela comunidade internacional como presidente do país desde a eleição de novembro, exibiu imagens de Gbagbo, visivelmente cansado após a detenção.
Gbagbo, no poder desde 2000, estava com a esposa Simone, considerada uma figura da linha dura do regime, e do filho Michel, de um primeiro casamento, informou Anne Ouloto, porta-voz de Ouattara.
"O pesadelo terminou para os marfinenses", declarou Guillaume Soro, primeiro-ministro de Ouattara, ao confirmar a detenção do casal presidencial.
Soro também convidou as forças leais a Gbagbo a aderir ao novo chefe de Estado, em um discurso exibido na televisão.
"O presidente está vivo e bem e será levado à justiça", declarou o embaixador da Costa do Marfim na ONU, Youssoufou Bamba.
A detenção, que aconteceu no 12º dia da batalha de Abidjan, aconteceu após uma nova campanha de bombardeios da França e da ONUCI contra a residência em que Gbagbo estava entrincheirado - em meio ao armamento pesado usado pelos partidários do agora ex-presidente -, de acordo com a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU.
Gbagbo não reconheceu a derrota nas urnas para Ouattara em novembro, apesar da eleição ter sido aprovada pela comunidade internacional, e se recusava a deixar o poder após quatro meses de violenta crise pós-eleitoral.
De domingo até a madrugada desta segunda-feira, a missão da ONU e as forças francesas dispararam mísseis contra a residência de Gbagbo e contra o palácio presidencial.
Paris e a ONU sempre insistiram que sua missão não era derrubar Laurent Gbagbo.
Uma fonte diplomática francesa insistiu, pouco depois do anúncio da detenção, que Gbagbo foi preso pelas tropas de Ouattara, sem participação das forças especiais francesas, que não entraram na residência.
Mais cedo, aliados de Gbagbo acusaram a França - antiga potência colonial - de querer "assassinar" o presidente.
Depois da detenção de Gbabgo, o presidente francês Nicolas Sarkozy manteve uma longa conversa telefônica com Alassane Ouattara, segundo o Palácio do Eliseu, que não revelou detalhes da conversa.
Horas antes, as forças de Gbagbo enfrentaram as de Ouattara em Abidjan em combates com armas pesadas no bairro da residência do ex-presidente, um bastião que até então resistia após vários dias de confrontos.
Charles Ble Goude, líder dos jovens partidários de Gbagbo, havia anunciado que a residência do presidente ficara parcialmente destruída após os últimos bombardeios das forças da ONU e da França.
A ONU explicou que tentava "neutralizar o armamento pesado" do campo de Gbagbo para proteger os civis.
A França informou ter atuado a pedido da ONU.
Os combates dos últimos dias deixaram Abidjan, capital econômica de quatro milhões de habitantes, à beira de uma catástrofe humanitária.

FONTE: http://veja.abril.com.br/agencias/afp/veja-afp/detail/2011-04-11-1856801.shtml